Saber quando tirar muletas após cirurgia LCA depende da avaliação do fisioterapeuta e das restrições estabelecidas pelo cirurgião, não apenas dos dias desde a operação. Conseguir estender completamente o joelho e caminhar sem mancar são critérios importantes, mas precisam ser considerados junto com o procedimento realizado e a resposta à reabilitação.
Na reconstrução do ligamento cruzado anterior, o LCA, as muletas ajudam a controlar quanto peso você coloca na perna operada. Deixá-las antes da hora não acelera a recuperação: o objetivo é recuperar uma caminhada segura, sem compensações e respeitando os tecidos operados.
Por Equipe Focus Saúde.
Quando tirar muletas após cirurgia LCA: por que o prazo varia
O prazo varia porque duas pessoas operadas do LCA podem ter procedimentos, restrições e condições de movimento diferentes. Por isso, o calendário ajuda a organizar o acompanhamento, mas não funciona como autorização automática para abandonar o apoio.
Segundo o NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, a retirada deve acontecer quando o fisioterapeuta autorizar. A diretriz da Aspetar também recomenda que a descarga de peso, ou seja, a quantidade de peso colocada sobre a perna, seja progressiva, controlada e conforme a tolerância, respeitando as instruções do cirurgião.
Isso significa que conseguir dar alguns passos sem muletas não é suficiente. É preciso observar como você anda, se mantém o controle do joelho e se a atividade aumenta dor ou inchaço. Comparar sua evolução com a de outra pessoa pode levar a uma progressão inadequada.
O que o fisioterapeuta avalia antes de retirar o apoio
O fisioterapeuta verifica se você consegue sustentar o peso permitido e caminhar com controle, sem depender de compensações. A avaliação combina movimento do joelho, ação muscular, sintomas e observação da caminhada.
Entre os pontos que ajudam a orientar essa decisão estão:
- Extensão do joelho: conseguir esticá-lo completamente, dentro do que está liberado no protocolo.
- Qualidade da marcha: caminhar sem mancar ou encurtar excessivamente o apoio na perna operada.
- Controle muscular: sustentar o joelho durante o passo, sem episódios de ele ceder.
- Dor e inchaço: observar se a carga atual é tolerada durante a atividade e depois dela.
- Equilíbrio e segurança: deslocar-se sem precisar se agarrar aos móveis.
A orientação do NHS Greater Glasgow and Clyde destaca a extensão completa e a caminhada sem mancar antes de deixar as muletas. Esses critérios não devem virar um teste feito sozinho em casa: o profissional precisa verificar o conjunto e as restrições da cirurgia.

Como lesões associadas de menisco e cartilagem mudam a progressão
Quando a reconstrução do LCA acompanha um procedimento no menisco ou na cartilagem, a liberação de carga e movimento pode ser diferente. Nesses casos, as instruções específicas do cirurgião têm prioridade sobre orientações gerais para uma cirurgia isolada do ligamento.
O menisco ajuda a distribuir as cargas no joelho, e a cartilagem reveste as superfícies articulares. Dependendo do tratamento realizado nessas estruturas, pode ser necessário proteger a região com restrições temporárias de apoio ou de movimento.
A diretriz da Aspetar orienta adaptar a fase inicial da reabilitação às lesões associadas. Por isso, leve à avaliação o relatório cirúrgico e as recomendações recebidas na alta. Dizer apenas que “operou o LCA” pode não esclarecer tudo o que foi feito.
Se as orientações parecerem diferentes das recebidas por outro paciente, não tente igualar os prazos. Confirme com a equipe qual carga está permitida e quais critérios serão usados para avançar.
Como a fisioterapia prepara a volta à caminhada sem muletas
A fisioterapia prepara essa transição com exercícios e treino de marcha ajustados ao seu estágio de recuperação. O foco não é simplesmente retirar um equipamento, mas construir as condições para que ele deixe de ser necessário.
Conforme a avaliação e o protocolo, o trabalho pode envolver recuperação da mobilidade, ativação e fortalecimento muscular, controle do apoio e equilíbrio. O treino de caminhada permite corrigir compensações e praticar o uso adequado das muletas.
A redução do apoio também precisa ser orientada. Quando indicada, a passagem de duas muletas para uma não deve ser improvisada: o fisioterapeuta ensina o lado de uso, a sequência dos passos e em quais situações manter mais suporte.
Segundo a Aspetar, os exercícios são a base da reabilitação, e o tempo desde a cirurgia, isoladamente, não determina a progressão. Andar sem muletas também não significa estar liberado para correr, saltar ou voltar ao esporte. Essas atividades exigem outras etapas e avaliações.
Cuidados com a caminhada e as atividades em casa
Em casa, caminhe na quantidade e com o apoio recomendados, evitando transformar uma melhora momentânea em um aumento brusco de atividade. Mesmo trajetos curtos podem se acumular ao longo do dia.
O NHS orienta evitar torções do joelho e períodos prolongados em pé, que podem provocar inchaço. Para tornar a rotina mais segura:
- Retire tapetes soltos e objetos dos caminhos mais usados.
- Prefira trajetos livres de obstáculos e pisos secos.
- Evite girar o corpo com o pé operado preso ao chão; mude de direção com pequenos passos.
- Organize os objetos de uso frequente para não carregar volumes enquanto usa as muletas.
- Peça orientação prática para escadas, especialmente se elas fizerem parte da sua rotina.
Se você começa a mancar ao aumentar a distância ou percebe mais inchaço depois, comunique isso ao fisioterapeuta antes de ampliar novamente a caminhada. Essas informações ajudam a ajustar a carga; não significam, sozinhas, que houve uma complicação.
Sinais de alerta que exigem avaliação médica
Febre, secreção na ferida e dor, vermelhidão ou inchaço que não melhoram ou estão piorando precisam de avaliação médica urgente. Não espere a próxima sessão de fisioterapia para relatar esses sinais à equipe cirúrgica.
Dor e inchaço na perna acompanhados de falta de ar ou dor no peito exigem atendimento imediato. Procure um serviço de emergência. Esses sintomas não devem ser tratados como uma reação comum ao exercício ou à retirada das muletas.
Na dúvida sobre uma mudança importante no pós-operatório, entre em contato com a equipe responsável. A avaliação presencial permite diferenciar a evolução esperada de situações que precisam de investigação.
Perguntas frequentes
Se eu não sinto dor, já posso deixar as muletas?
Não necessariamente. A ausência de dor não confirma controle muscular, caminhada adequada nem liberação dos tecidos operados para receber mais carga. Mantenha o apoio prescrito até a reavaliação, mesmo que você se sinta confortável.
Posso andar sem muletas em casa e usá-las na rua?
Essa estratégia pode fazer parte de uma transição orientada, mas não serve para todos. Distância, fadiga e irregularidades do piso mudam a exigência da caminhada. Peça ao fisioterapeuta uma orientação específica para cada ambiente.
Preciso usar joelheira depois de tirar as muletas?
O uso de joelheira depende da indicação da equipe e do procedimento realizado. Joelheira e muletas têm funções diferentes; retirar uma não determina automaticamente retirar ou manter a outra. Não altere a prescrição por conta própria.
Para decidir com segurança quando reduzir o apoio, procure uma avaliação individual com um fisioterapeuta. Se quiser conhecer o acompanhamento de pós-operatórios da Focus Saúde, em Ribeirão Preto, veja a página de fisioterapia ortopédica, traumatológica e desportiva.






